terça-feira, 11 de março de 2008

Assinado


Existe aquele momento indelével da nossa existência em que aprendemos a escrever o nosso nome. A partir daí, é como se ganhássemos uma nova parte da nossa identidade. E vamos deixando a nossa ‘marca’, de cada vez que assinamos algo.

Por mais insignificante que seja, como um bilhete…ou tão decisivo como uma escritura de uma casa, a verdade é que cada assinatura é um compromisso.
Connosco e com os outros.
Há um ano, decidi criar este blog e, de certa forma, 'assinei' o meu nome perante o mundo. Curiosamente, hoje ‘marquei’ a minha vida com mais uma assinatura importante.
Daquelas orgulhosamente merecidas.

Fechei os olhos por um momento, respirei fundo, agradeci à vida... e escrevi o meu nome.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Quase perfeito


Hoje contaste-me que tinhas estado a ler o meu blog. Disseste que o que escrevo é real, “uma exposição tão grande da alma…que apetece abraçar o corpo”. E eu cheguei à conclusão de que me conheces melhor do que eu pensava.
E que continuas teimosamente presente nos meus pensamentos. Que fazes parte de deliciosas memórias, daquelas que são capazes de ‘ganhar vida’, só por falarmos nelas.

Penso em nós como uma história ‘quase perfeita’, como um texto que por muito que tente escrever, falta-me sempre uma palavra. E essa palavra é precisamente a que dá sentido a tudo, à vida real. E como disseste, “…as frases são imperfeitas. Como é imperfeita a forma de exprimir o quanto me apetece estar contigo… em como tem tanto de físico, como tem de alma”.

Sei que fujo a certos impulsos. Talvez ande a ‘tomar chá com a minha consciência’ vezes demais… Ou tenha alguns princípios e valores que, quando combinados com certas circunstâncias, não resultam comigo.
Mas quero que saibas que tenho saudades tuas, que também me apetece ter-te no meu colo, que gosto que me surpreendas com mensagens que trazem recordações únicas, que também me lembro de nós…

Se um dia o diabo quiser…

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Há dois anos sem ti...



Hoje chove tanto quanto chovia há 2 anos, no dia em que partiste deste mundo. Nessa noite, estava sentada junto à janela, e o Martim aproximou-se de mim: "Dinha, o céu está a chorar muito porque está triste, não é?"
Não fui capaz de dizer nada. Peguei-lhe ao colo e ficámos, abraçados, a olhar as estrelas.
Então, numa voz baixinha e chorosa, confessou-me: "Eu também estou muito triste. A Mamã foi para o céu e nunca mais volta..."
Não se consegue enganar a alma, mesmo que habite numa criança de seis anos...
Hoje chove, como naquele dia. O céu continua triste e a chorar. E nós também...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Pillow Talk

Adoro conversas de almofada. Desabafos de travesseiro, confissões feitas de suspiros de amantes, confidências soltas com a força de um pensamento não contido.
Aposto que todos já tiveram momentos destes, antes de apagar a luz, ou depois de fazer amor, com o namorado, com o marido, com o amante ocasional… São cumplicidades. Por algo que se disse, por algo que se sentiu, por algo que aconteceu, por algo que não se esquece.
São instantâneos de intimidades. Ou, se preferirem, simplesmente... ‘pillow talk’.

Ele: “ Adoro a forma como enrolas o cabelo com os dedos, antes de adormeceres..."
Ela: “ Adoro que saibas a forma como adormeço...”

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Estado civil: Solteira

Como não tenho namorado e sempre fui ‘alérgica’ a datas de comemoração obrigatória porque o calendário assim o determina, este é o meu manifesto de solteira para o dia de S. Valentim.
Antes de mais, escrever este texto na véspera de tal efeméride constitui, desde logo, uma novidade. Parece-me bem mais original do que andar com uma rosinha vermelha na mão, receber um cartãozinho com desenhos de cupidos e mensagens melosas, uma caixa de bombons, ou pior ainda, um daqueles ursinhos de peluche agarrados a um coração!
Estima-se que, pelo mundo fora, são enviados aproximadamente um bilião de cartões com mensagens românticas nesse dia, tornando-o num dos mais lucrativos do ano. Também se estima que são as mulheres que compram aproximadamente 85% de todos os presentes. O que, logo à partida, não me parece nada bem! : /

Há também quem defenda que o costume de enviar mensagens amorosas neste dia não tem qualquer ligação com S. Valentim (Séc. III), mas data da Idade Média, quando se acreditava que o dia 14 de Fevereiro assinalava o princípio da época de acasalamento das aves. Isto sim, faz muito mais sentido! ; )
Perdoem-me os casalinhos apreciadores desta ocasião especial, mas a mim parece-me que, nesse dia, até o mais comum ‘engate de causa hormonal’ se transforma numa promissora história de amor!...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Algum dia...


Se algum dia te encontrar na rua, não vou mudar de passeio. Mesmo que finjas não me ver, vou parar diante de ti e fitar-te. Vou penetrar-te a alma e colocar a tua consciência no banco dos réus. Descansa, não vou ser eu a julgar-te, porque todo o Mundo já te julga.

Se algum dia vieres ao meu encontro, vou enfrentar-te com a Verdade do meu lado. Não mereces a minha confiança ou o meu amor. Foste tu quem partiu, quem me apagou da tua vida.
Por isso, quem deve temer és tu.

Se algum dia o destino nos juntar, vou tocar-te mais uma vez. Quero certificar-me que já não me transmites nada, nenhuma emoção. Como me senti da última vez em que te abracei.

Se algum dia falares comigo, vou tentar escutar-te. Vou perguntar-te se valeu a pena provocar tanto sofrimento pelo vazio de integridade em que vives. Se já pensaste que a ausência é o maior castigo para quem ama e não escolheu perder alguém?

Se algum dia a Vida me der essa oportunidade, vou olhar-te e não te vou reconhecer. Talvez nesse dia te transformes num estranho e me sejas indiferente. E finalmente, o meu coração deixe de doer.

Algum dia… Hoje não.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Adivinham-se tempos difíceis...


Adivinham-se tempos difíceis…
Feridas antigas que continuam teimosamente abertas, sem nunca cicatrizarem.
Esforços titânicos para que os dias passem, com a dor na alma anestesiada, adormecida.
Datas de efemérides que não podemos comemorar, outras que não queremos que sejam reais e que preferíamos esquecer.
Recordações de cor esbatida pelo tempo e manchadas por lágrimas de saudade.
Suspiros profundos, gritos abafados de sofrimento e angústia, raiva e ódio ‘mordidos’ na almofada quando o sono teima em não chegar.
Medo de mim mesma, por não conseguir vencer ‘demónios’ de incerteza, tormentos de injustiça.
Nojo por quem se escuda na mediocridade, crueldade e ausência de carácter.
Batalhas assombradas por seres desprezíveis, vis, abjectos.

Adivinham-se tempos difíceis… Mas eu vou sobreviver, e a culpa não há-de morrer solteira!

sábado, 12 de janeiro de 2008

2008

Começou um novo ano. O calendário virou, é altura de renovar esperanças, de fazer promessas, de listar objectivos e cumprir resoluções. Eu, por mim, comprometo-me a viver...e a usar protector solar...

Feliz 2008

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Certificado de Amor verdadeiro


Esta é uma verdadeira história de amor. Uma menina de 12 anos conhece um rapaz de 18, e apaixona-se perdidamente. Almas gémeas, ele sentiu o mesmo. Namoraram 6 anos, ‘à antiga’, sempre sob o olhar atento e a devida supervisão de adultos.

Como deve ter sido difícil nem sequer poder dar um beijo apaixonado, daqueles prolongados, sem recear reprimendas!...
Mas o Amor, quando existe, vinga e ultrapassa qualquer obstáculo. A 23 de Novembro de 1968, casaram. Não choveu nessa manhã, o que contraria o velho ditado ‘ boda molhada, boda abençoada’… Mas a maior bênção deste amor e desta história é o facto dos protagonistas serem os meus pais. E que hoje comemoram 39 anos de casados!

Tiveram sonhos, e concretizaram-nos. Unidos no melhor e no pior, na saúde e na doença, aquelas palavras que tantos pronunciam de ânimo leve, para os meus pais foram promessas sagradas e eternas, olhos nos olhos, de alma e coração, um certificado de Amor verdadeiro.
Os filhos vieram, tão desejados, tão amados, geradores de uma felicidade ainda maior. E a família cresceu, a vida seguiu.

Acompanhei passo a passo esta deliciosa história de amor, aprendi o que é uma relação saudável, equilibrada, balizada pelo respeito, pelo companheirismo e pela paixão constante (era frequente ‘apanhar’ os meus pais aos beijinhos, com carinhos e olhares cúmplices!)
Anos mais tarde, estive presente no momento de mais um ‘sim’, na igreja, e foi-me reservada a honra de ser a ‘menina das alianças’. Estive presente quando a felicidade parecia não ter fim! Estive presente quando golpes duros demais fizeram estremecer o nosso lar! Mas tudo estava fundado em rocha firme e a casa não ruiu!
Há certas coisas que acontecem na vida que me fazem acreditar que o amor pode ser eterno e eles provaram isso. Que mesmo com todas as dificuldades que a vida nos possa apresentar ao longo do seu percurso, se tivermos alguém ao nosso lado para nos amparar, tudo pode ser menos difícil, ou até mais fácil.

Vi o exemplo que vocês deram ao mundo que os cercava, um exemplo para mim, sempre. Vocês são um sinal claro de mim mesma, na vida que me ofereceram, e que às vezes é madrasta. E são vocês os responsáveis por eu ainda não ter deixado de acreditar no Amor. A vossa felicidade e cumplicidade cabe dentro do mesmo coração e esse coração também é o meu!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Dançar à chuva


Estou assim… como o tempo, chuvosa. Nostálgica…
Se não arriscasse chegar ao trabalho completamente encharcada (o que não dava muito jeito), hoje não tinha sequer aberto o guarda-chuva.
Apetecia-me deixar aquele ‘dilúvio’ cair sobre mim, sentir o cheiro da rua molhada, não ligar à pressa das pessoas no caminho das suas rotinas. E recordar tempos felizes…

Lembrei-me de, há muitos anos, eu e o meu então namorado João termos sido apanhados de surpresa por uma chuvada imprevisível e nos termos refugiado debaixo do toldo de um quiosque, num miradouro em Alfama. De um bar ali perto, saía o som de uma música qualquer. De repente, levantei-me: “Vamos dançar!”. Respondeu-me com um olhar atónito: - “Estás doida? Se apareces encharcada em casa, os teus pais vão-se passar!”
“Não me interessa!”
, disse, no meu tom teimoso. Puxei-o para mim, e dançámos naquele miradouro, com Lisboa como testemunha, e cada vez que rodopiávamos, a água dançava com os nossos passos. Houve quem parasse, para olhar e certamente comentar aquele ‘disparate de adolescentes’. Outros terão pensado na ternura daquela cena, tão cinematográfica, mesmo desconhecendo que fora um acto de pura espontaneidade.
A música parou e nós continuámos a dançar, ao som da chuva e ao ritmo dos nossos corações. Não sei quanto tempo ali ficámos…

Regressámos, calados, de mãos dadas, com um sorriso e uma recordação impossíveis de apagar. Quando me deixou à porta de casa, deu-me um beijo (molhado, claro está!) e disse-me que, a partir daquele dia, ia chamar-me “mulher da chuva”.
Confesso que não me lembro se levei um raspanete dos meus pais por ter chegado a casa ‘encharcada que nem um pinto'! Mas não trocaria aquele momento por nada.

Sinto saudades de namorar como antes, passear de mãos dadas, sentir aquele ‘frio na barriga’, ter a ingenuidade de acreditar que aquela paixão é para sempre, passar horas ao telefone sem que nenhum dos dois queira desligar primeiro, rir de coisas parvas e dançar à chuva…